Uma boa parcela dos praticantes de musculação também está envolvida com outros esportes. Alguns, inclusive, buscam o treinamento resistido com o objetivo principal de melhorar o desempenho nessas atividades e evitar lesões. São corredores de diversas modalidades, triatletas, ciclistas, lutadores, surfistas, tenistas e até os peladeiros de society ou finais de semana; todos na academia, mas com foco em seu esporte-paixão.

Outro público cada vez mais presente nos salões de musculação é o da terceira idade. Alguns até são atletas também, mas a maioria possui saúde bem fragilizada. Ambos os perfis tem algo em comum: devem ter inclusos em sua periodização de treinamento, blocos e exercícios para aumento da potência muscular.

 

O que é Potência Muscular?

O termo potência, à luz da ciência do exercício, pode ser definido por “velocidade em que se desempenha o trabalho” (FLECK & KRAMER, 1999).

Outra definição bem ilustrativa é a de ZATSIORSKY (1999): potência é a força dividida pela unidade de tempo. Portanto, percebe-se que potência está relacionada ao conceito de velocidade. Especificamente, neste texto, usarei o termo referido para tratar da potência muscular, que é o produto da maior velocidade vezes a maior força com a qual o músculo é capaz de contrair.

 

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Para que serve um treino de Potência?

A capacidade de exercer o máximo de força possível, o mais rápido possível, é uma das qualidades mais importantes para a prática da maioria dos esportes – quando não é A mais importante. A potência também é utilizada em algumas situações cotidianas, como, por exemplo, quando corremos para não perder o ônibus.

Já idosos com lentificação do movimento se beneficiam muito quando treinam a fim de desenvolver esta capacidade física, pois tornam-se mais ágeis, fortes e com melhor coordenação motora, já que essas são qualidades inerentes ao desempenho de potência.

 

Quando é feito o treino de Potência Muscular?

Se, para ser potente, você precisa ser forte o mais rápido possível, então, antes de tudo, você deve desenvolver a sua força. O iniciante na musculação já vai apresentar melhora geral de performance em todas as qualidades físicas, incluindo a potência, dado o alto grau de treinabilidade que possui – ele é como uma folha de papel em branco! Somente após o indivíduo se tornar experiente é que o treinamento de força, por si só, passa a ser inexpressivo no desenvolvimento da potência muscular.

É neste momento que o treino precisa ser específico, alternando entre potência, força máxima e resistência de força. Cito só essas 3 para simplificar e porque aqui tratamos apenas do que é feito na sala de musculação. A partir de então, o resultado destes blocos de treinamento específicos começam um a influenciar no outro, como numa teia: todas as qualidades físicas precisam ser ampliadas de forma específica e seus incrementos influenciam diretamente na melhora das outras.

 

Como é feito um Treino de Potência?

Em primeiro lugar, é preciso definir prioridades: quem é o meu aluno? Do que ele precisa? Para quê? Para quando? Respondidas essas perguntas, o treinador traça a melhor estratégia de periodização, ou seja, quando vai enfatizar a potência, por quanto tempo, com quais exercícios, etc.

Mas, uma coisa nunca varia: a especificidade do treinamento. Os exercícios escolhidos devem envolver os mesmos grupamentos musculares usados no gesto desportivo, para quem treina a fim de melhorar o desempenho em outra atividade, e nos movimentos cotidianos que estão lentificados (em geral, todos), no caso de idosos.

 

Treino de Potência vale a pena para hipertrofia?

A hipertrofia muscular não é uma valência física, ou seja, você não treina hipertrofia. Ela é um “efeito colateral” do desenvolvimento da força. Cientificamente, já foi observado que se extrai o melhor “efeito hipertrófico” do treinamento da força de resistência, que é aquela sua série de 8 a 12 repetições. Porém, com qualquer treinamento de força teremos hipertrofia muscular.

Considerando que o treinamento de potência irá influenciar diretamente no ganho de força máxima e este será útil no treino de força de resistência, então, vale a pena um bodybuilder avaliar a possibilidade de incluir esse bloco dentro de sua periodização. Logicamente, não é o foco de trabalho deste atleta. Porém, pode-se extrair muitos benefícios desta composição, tanto do ponto de vista fisiológico quanto do ponto de vista motivacional, pois é uma forma de diversificar o treinamento.


REFERÊNCIAS:
FLECK, Steven J. & KRAEMER, Willian J.; Fundamentos do Treinamento de Força Muscular. Editora Artmed, 1999.
ZATSIORSKY, Vladimir M.; Ciência e Prática do Treinamento de Força. Phorte editora, 1999.