Com muito boa aceitação no mercado já há alguns anos, os termogênicos estão presentes em quase todos os porta-comprimidos dos frequentadores de academia – e até mesmo de quem nem treina! Sob a promessa de serem “incineradores de gordura” e os reais responsáveis por um shape “trincado”, além de driblarem o cansaço do dia a dia, esses produtos costumam ser consumidos de forma inadequada e sem orientação.

Pior, muitas vezes, o marketing de determinadas marcas é exagerado ou mesmo fora da realidade e o consumidor nem sequer procura ler o rótulo do produto a fim de saber o que está comprando e se a(s) substância(s), na quantidade indicada por dose, é capaz de cumprir o que promete.

Diante de tanta desinformação e desejo por um milagre ser vendido em cápsulas, o público constantemente paga caro por substâncias que não valem o que está sendo cobrado e/ou consome esses suplementos em dosagens totalmente equivocadas, arriscando a saúde por um resultado que nunca virá.

Portanto, é prudente para a sua segurança (e para o bolso) ficar atento ao real conceito destes produtos e ao conteúdo dos rótulos.

 

O Real Conceito dos Termogênicos

O que são termogênicos?

Termogênicos são substâncias que devem ter a capacidade de aumentar a taxa metabólica basal, através da aceleração do metabolismo, via receptores β-adrenérgicos, os quais estimulam a quebra dos depósitos de triacilglicerol (gorduras). São diferentes dos estimulantes, substâncias que agem diretamente no sistema nervoso central a fim de aumentar a atividade cerebral e, por consequência, os níveis de atividade cognitiva e motora. Portanto, através dos conceitos, percebe-se que existem dois produtos com objetivos distintos, mas que, muitas vezes, são embalados no mesmo pacote de marketing.

Em geral, as fórmulas nacionais dos termogênicos que possuem livre circulação no mercado nacional e são autorizadas pela ANVISA, costumam ser uma mistura de cafeína e alguns fitoterápicos como chá verde, gengibre, pimenta, canela, pó de guaraná e ginseng. Em alguns casos, também são adicionadas vitaminas do complexo B, E, zinco, magnésio e ferro. Porém, o real papel destas substâncias no organismo não condiz com a promessa de serem aceleradoras do metabolismo.

A cafeína, principal ativo de todos esses suplementos, é um estimulante, cujo conceito foi explicado no parágrafo anterior. O benefício de seu uso está em tentar driblar o cansaço em um treino pesado, por exemplo. Porém, doses além da recomendada pelo fabricante não fazem mais efeito, devido à saturação dos receptores cerebrais. Ainda podem gerar efeitos colaterais como distúrbios do sono, exacerbação da ansiedade, aumento do risco de câncer gastrointestinal e doenças no coração.

Doses extremas podem levar à anorexia, taquicardia e morte. Já os fitoterápicos que compõem alguns produtos, como o chá verde, não possuem uma conclusão científica de terem ação termogênica significativa. Além disso, eles geralmente são adicionados nas formulações em doses bem abaixo das testadas em laboratórios. Ou seja, a probabilidade de se obter algum benefício destes produtos com relação à perda de peso ou redução de percentual de gordura é praticamente nula!

Já as vitaminas podem até trazer alguns benefícios para quem tem déficit das mesmas, melhorando a saúde geral do indivíduo. Porém, para aqueles que mantém uma alimentação diversificada e equilibrada, preferencialmente acompanhada por um nutricionista, dificilmente se extrai algum benefício desse tipo de suplementação. Vale lembrar que excesso de vitaminas, ou são excretados na urina e fezes, ou podem causar hipervitaminose, que é a intoxicação por excesso e cujos efeito colaterais vão depender de qual vitamina foi má administrada.

Por fim, considere que todas as substâncias citadas são de custo baixíssimo na indústria e, na maioria das vezes, o preço do produto nas prateleiras das lojas de suplementos e bodyshops é incompatível com o valor agregado. Em alguns casos, os termogênicos têm formulação igual ou (pasmem!) até inferior a alguns multivitamínicos vendidos em farmácias, mas sem o mesmo apelo de marketing, pois o público-alvo não é o praticante de musculação ou de exercícios físicos.

 

O Real Conceito dos Termogênicos

Como usar suplementos termogênicos?

Conforme foi exposto, estes suplementos têm pouca ou nenhuma ação direta na perda de gordura. Mas, podem ser uma boa estratégia para atingir este resultado, ainda que de maneira indireta. Caso a sua dieta esteja muito restrita em calorias e/ou em carboidratos, te faltando energia e disposição para treinar de forma mais intensa, o uso de um “termogênico” estimulante à base de cafeína com algumas vitaminas na fórmula pode vir a ser útil, desde que na dose recomendada.

Porém, é importante ressaltar que nenhum padrão alimentar que faça você se sentir mal ou indisposto é sustentável a longo prazo; logo, você deve ter um acompanhamento profissional tanto para atingir seus objetivos quanto para usar o suplemento.

Outro uso interessante pode ser no caso de pessoas que tenham jornadas de trabalho muito intensas ou longas e que já chegam cansadas na academia. Mas, novamente, um acompanhamento profissional se faz necessário, pois, muitas vezes, pode-se contornar a situação com uma alimentação equilibrada, por exemplo. Além, claro, do fato de que cansaço excessivo pode indicar outros problemas de saúde e uma investigação mais profunda pode ser urgente.

Também não desconsidere simplesmente se afastar 1 ou 2 semanas da academia, caso venha de um ritmo de treino muito pesado por um longo período de tempo. Pode ser muito produtivo tanto para o desenvolvimento do físico e da força quanto para a saúde mental.

Portanto, antes de consumir qualquer produto que prometa melhorar foco, atenção, disposição ou prometa perda de gordura acentuada de forma rápida, procure um profissional especializado de confiança e converse sobre a composição do rótulo que te despertou curiosidade de uso. Talvez não haja a real necessidade de usá-lo, o que te poupará gastos financeiros desnecessários e expectativas frustradas.

Roupas de Academia Marombada